segunda-feira, 30 de março de 2009

Luto vão

Onde está o teu sorriso?
Onde está a tua voz?
O que fez com teu cinismo?
Não é hora de pensar em nós
Destruí-me como jamais farei
Desisti por insistência de quem amei
Mutilei-me com a lembrança de sua fala
De seu descaso, sua frieza
De sua crítica calculada
De sua cruel gentileza
Curvei-me diante do medo
Cedi a um plano fatal
Cuspi o gosto amargo do teu desprezo
Mas engoli o teu veneno sem sal
Agora não venha com discursos treinados
Não me traga flores hipócritas
Não queira tocar meus lábios gelados
Agora que estou morta.

sábado, 21 de março de 2009

Poeta

Sou o albatroz
Envenenado com minha própria saliva
Derretendo no ácido de meu suor
Sufocando com o ar que me dá vida
Tenho uma dor secreta no inconsciente
Sou o vilão, e finjo ser inocente
Tenho que amar para sobreviver
Tenho que viver para esse maldito manter
Na insana batalha do que é ser
Não consigo matar, por isso ei de morrer.
21.03.2009
(obs.: o animal albatroz faz alusão ao poema de Charles Baudelaire_ O Albatroz)